Visitas: 9444
Usuários Online: 1

Com a venda dos serviços de água e esgoto da Compesa, realizado nesta quinta-feira (18/12/2025), na B3, em São Paulo, garantiu um repasse bilionário para municípios pernambucanos e para o Governo do Estado. Ao todo, foram arrecadados R$ 4,251 bilhões em outorga.
Pelas regras do edital, 60% do valor total da outorga será pago na assinatura do contrato, prevista para o começo do próximo ano. Esse adiantamento garante um reforço imediato de caixa para governos, mas antecipa receitas que, na prática, serão bancadas pelo usuário do sistema, por meio das tarifas ao longo dos anos.
A divisão da outorga foi aprovada pelos municípios, mas favorece o uso do recurso como instrumento fiscal, e não como investimento direto no saneamento.
Outorga mínima
• 40% para os municípios
• 60% para o Governo do Estado
O município de Glória do Goitá vai receber R$ 6.284.957,68
Prefeituras podem gastar livremente — até com shows e pessoal
Um dos pontos mais sensíveis do modelo é que a parcela destinada aos municípios não tem vinculação obrigatória.
Isso significa que as prefeituras não precisam investir o dinheiro em saneamento e podem usar os recursos para:
• shows e eventos festivos,
• contratação de pessoal,
• custeio da máquina pública,
• pagamento de dívidas ou despesas correntes.
Na prática, o dinheiro arrecadado com a tarifa de água pode acabar financiando gastos sem relação direta com a melhoria do serviço.
Já o Estado de Pernambuco vai receber a quantia de R$ 2.317.703.031,09
Embora o leilão represente um alívio fiscal imediato para estados e municípios, especialistas apontam que outorgas elevadas tendem a ser compensadas ao longo do contrato pela tarifa, o que coloca sobre o consumidor o custo final da operação.
Com R$ 4,25 bilhões arrecadados hoje na B3, o leilão da Compesa se consolida como um grande negócio para os cofres públicos — mas levanta questionamentos sobre quem, de fato, paga essa conta.
COM INFORMAÇÕES DO BLOG PONTO DE VISTA