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Após quase duas horas de audiência de custódia em Olinda, na Região Metropolitana do Recife (RMR), foi decidido que os jovens Cayo Lucas Rodrigues dos Santos, de 22 anos, e Paulo Vinícius Oliveira Barbosa, 21, terão a prisão decretada.
Eles serão transferidos para o Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, na RMR.
A audiência de custória aconteceu na manhã desta terça-feira (26), no Fórum de Olinda. Cayo é acusado pela polícia de ameaçar o influenciador Felca, através de mensagens no WhatsApp e e-mail.
O juiz José de Andrade Saraiva Filho comandou a audiência de custódia. Cayo e Paulo ainda estão no Fórum de Olinda. A expectativa é de que o magistrado assine o mandado de prisão e eles saiam do local. A previsão é de que tudo aconteça antes das 15h.
Detenção
Cayo foi detido em casa, no bairro de Jardim Brasil, na manhã dessa segunda-feira (25), durante cumprimento de um mandado busca e prisão temporária. A ação foi executada pela Polícia Civil de São Paulo em parceria com a Polícia Civil de Pernambuco.
Chegando à casa onde estava Cayo, os agentes encontraram também Paulo Vinícius. Eles estavam com um computador acessando a plataforma ‘Polícia Ágil’, da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE), que serve para consultar CPFs, criar contas bancárias e incluir mandados de prisão de desafetos. Esse computador, segundo a polícia, pertence a Paulo.
Ao sair da audiência, Paulo Vinícius não falou com a imprensa. Cayo negou as ameaças a Felca, mas foi categórico ao dizer que invadia o sistema da SDS.
“Eu fazia invasão de sistemas. Não tenho nada a ver com Felca. Inclusive, concordo com tudo que ele faz. Eu invadia todos os sistemas do governo. Isso aí [as ameaças] foi de outras pessoas da internet. Não foi eu. A [prisão por] ameaça é ilegal”, frisou ele.
Defesas
Cayo foi representado pela Defensoria Pública de Pernambuco. Enquanto Paulo teve como representante de defesa a advogada Aline Sena Nascimento. Nenhum deles falou com a imprensa.
Inconsolada, do lado de fora da unidade judiciária, a mãe de Paulo, que não será identificada, continua defendendo que o filho é inocente e não cometeu qualquer crime.
"O meu filho não é bandido. Tira o meu filho dessa, por favor. Meu filho é um bom menino. É um menino de ouro e é o melhor filho. Vocês não têm noção. Eu acredito na inocência dele", declarou ela.
Pedidos
Conforme especificado na decisão do juiz, o representante do Ministério Público pediu pela homologação do flagrante e pelas conversões das prisões em flagrante em preventivas.
Logo depois, as defesas dos dois autuados solicitaram a concessão da liberdade provisória ainda que com a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, sem prejuízo da homologação e cumprimento do mandado de prisão temporária existente em desfavor deles, pelas razões expostas.
Contudo, a decisão do juiz foi clara: "Entendo ser incabível a concessão da liberdade provisória para ambos, considerando a presença de indícios suficientes de autoria e prova da materialidade por meio dos depoimentos colhidos pela autoridade policial e auto de apresentação e apreensão acostados aos autos, presentes assim os pressupostos elencados no artigo 312 do Código de Processo Penal."
Para que serve uma audiência de custódia?
O ato, que é uma praxe da justiça, é instituído para verificar a legalidade da prisão. Durante esse momento, os detidos são questionados, por exemplo, se sofreu violência policial. A partir daí, a prisão pode ser convertida ou não.
O que diz a defesa de Felca?
A defesa de Felipe Bressanim, o Felca, representada pelo advogado João de Senzi, parabenizou as polícias pela prisão de Cayo. Mas alegou que essa captura nada tem a ver com a quebra de sigilo do Google deferidas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.