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Exu e Parnamirim (PE) — Auditores-Fiscais do Trabalho resgataram 14 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão durante operação de combate à exploração laboral em pedreiras de extração manual de granito e em obras públicas de pavimentação com paralelepípedos, nos municípios de Parnamirim e Exu, em Pernambuco, entre os dias 26 de outubro e 5 de novembro de 2025.
Nas pedreiras inspecionadas, situadas nas zonas rurais de Exu e Parnamirim, a equipe constatou condições degradantes de trabalho e de moradia, ausência total de registro e direitos trabalhistas e riscos graves à integridade física de 11 trabalhadores.
Os trabalhadores viviam dentro das pedreiras, nas proximidades das frentes de serviço, em barracos de lona sustentados por galhos sobre o chão batido, sem instalações sanitárias, local para alimentação ou acesso à água potável. Dormiam em redes ou pedaços de espuma sobre estruturas improvisadas de madeira, guardavam seus pertences pendurados em cordões e cozinhavam em fogões de pedra montados no chão.
A água destinada ao consumo era armazenada em tambores reaproveitados e contaminados por impurezas, sendo ingerida sem qualquer forma de purificação. As necessidades fisiológicas eram realizadas no mato, e o banho tomado com baldes e canecas, o que evidencia o grau extremo de degradação e vulnerabilidade a que estavam submetidos.
Nas frentes de corte das pedras, verificou-se o uso de ferramentas manuais rudimentares e explosivos artesanais, compostos por pólvora negra, salitre e bateria de automóvel — prática que representa risco iminente de mutilação e morte. Nenhum dos trabalhadores possuía equipamentos de proteção individual (EPI), assistência médica ou vínculo formal de emprego.
Em uma das pedreiras, foi flagrado um adolescente de 15 anos realizando atividade de corte manual de pedras, em violação à proibição de trabalho infantil em atividade insalubre e perigosa.
Também foi fiscalizada uma obra pública de pavimentação, que utilizava as pedras extraídas nas pedreiras inspecionadas. No local, três trabalhadores foram encontrados alojados em casa precária, sem banheiro, água encanada ou espaço adequado para refeições e guarda de ferramentas, igualmente sem registro em Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS).
As investigações dos fiscais do trabalho revelaram que parte significativa da produção das pedreiras abastecia obras contratadas por prefeituras pernambucanas, nos municípios de Exu e Santa Cruz, demonstrando omissão no dever de fiscalização e ausência de controle sobre a origem dos insumos utilizados em contratos públicos.
A coordenadora da operação, Auditora-Fiscal do Trabalho Gislene Stacholski, destacou:
“O que se viu nessas pedreiras é a face mais dura da exploração humana — pessoas vivendo e trabalhando em condições degradantes. A Inspeção do Trabalho tem o papel de romper esse ciclo e garantir que nenhum trabalhador permaneça invisível.”
Denúncias
Casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma anônima e segura por meio do Sistema Ipê, disponível em https://ipe.sit.trabalho.gov.br. Lançada em 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), essa ferramenta visa fortalecer o combate a essas violações por meio da participação ativa da sociedade.
Além disso, denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, um serviço telefônico gratuito e anônimo para relatos de violações de direitos humanos no Brasil. O Disque 100 funciona 24 horas por dia, todos os dias, e pode ser acionado de qualquer telefone fixo ou móvel. O serviço também oferece canais de atendimento via WhatsApp, Telegram e videochamada em Libras, garantindo acessibilidade para pessoas com deficiência auditiva.






Crédito das fotos: Auditoria Fiscal do Trabalho / Divulgação